Os dias letivos
Editorial
Meses atrás o fotógrafo João Bittar, contratado pela Unesco, colhia
uma série de imagens em escolas públicas. Em uma delas, localizada
em Tocantinópolis, cidade com 21 mil habitantes às margens
do rio do mesmo nome, flagrou esta, reproduzida abaixo, que gentilmente
nos enviou, juntamente com outras do ministro da Educação, Fernando
Haddad, nosso entrevistado do mês.
Ela mostra um índio, de perfil, tendo ao fundo um dos dez mapas didáticos
que, ao longo das últimas edições, foram enviados a 15 mil escolas públicas
de todo o País. Coincidência ou não, o tema deste é, justamente, a localização
de todas as terras indígenas, que hoje correspondem a 12,5% do território
nacional. Duas delas, aliás, estão localizadas bem próximas à escola.
Repare, caro leitor e cara leitora, que o mapa está rasgado. Marcado pelo uso, como acontece aos livros lidos e aos sapatos gastos, o pôster está exatamente onde deveria estar: na linha de frente do ensino, na escola pública, onde acontece diariamente a formação de milhões de jovens. Diante deles, um contingente de 2,1 milhões de professores vem fazendo o que pode para formá-los e informá-los, preparando-os para um mundo onde o conhecimento é moeda cada vez mais valorizada.
Há dois anos criamos Carta na Escola com o objetivo de trazer temas
da atualidade para debate e reflexão em sala de aula. Apoiados por patrocinadores que vêem na educação um valor digno de associação às suas marcas, alcançamos tiragem mensal de 70 mil exemplares, distribuída majoritariamente na rede pública de ensino. Afora estes, temos novos assinantes a cada semana e, ainda, aqueles que conseguem encontrar nossa revista em meio à barafunda das publicações à disposição nas bancas de jornal. O que nos leva a pensar que também estamos onde deveríamos estar: nas mãos de professores e alunos, estimulando-os a aprender sob novos prismas, a refletir sobre as condições e contradições contemporâneas. E instando-os a seguir adiante, dando a cada dia letivo a oportunidade de trazer consigo uma boa aula. O que não é pouco.

