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Edição 22

Duas folhas e novas atitudes

By Ricardo Prado, redator-chefe

Editorial

Quando meu filho de nove anos me viu usando várias folhas de papel para enxugar as mãos em um banheiro público, perguntou: “Pai, por que você não usa só duas folhas? Aqui está escrito que é o suficiente”. Aponta o texto junto ao depósito de papéis. “Porque duas folhas nunca secam as mãos”, respondi, já com a convicção abalada. Na ocasião seguinte, experimentei e vi que era possível, sim, usar apenas duas folhas e sair com as mãos secas.

O quarto artigo da série Sustentabilidade na Escola, publicado nesta edição, aborda o difícil desafio que implica qualquer mudança de hábito, principalmente quando envolve alguma suposta perda de conforto ou de tempo. O ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda, autor da série e uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, nos fala desta vez sobre os 4 R’s que sinalizam uma era marcada pela consciência de que não podemos usufruir, indefinida e irresponsavelmente, os recursos naturais da Terra. São eles: Reduzir, Racionalizar, Reciclar e Reutilizar.

Em relação aos dois últimos ‘R’s, parece que estamos aprendendo o caminho das latas, dos vidros e dos papéis reciclados. De fato, o Brasil tornou-se um campeão da reciclagem, mesmo que de uma maneira um tanto torta, graças aos milhares de catadores de sucata que extraem do lixo seu parco sustento.

Mas além de reciclar e reutilizar, também será preciso reduzir ou racionalizar o consumo e, neste caso, todos podemos participar do esforço. No ambiente escolar, reduzir o uso de papel é o desafio mais óbvio. “Lembre-se do seu compromisso com o meio ambiente antes de imprimir”, é um sábio aviso que cada vez mais nos chega em rodapés de e-mails.

Racionalizar o consumo de água e luz na escola, espaço pedagógico por excelência, pode ser o resultado esperado de uma campanha que alie informação e mobilização. E a comunidade escolar poderia avançar nesta linha e criar seu próprio projeto de sustentabilidade ambiental, com coleta seletiva, reciclagem, uso de sobras alimentares para adubo da horta, alternativas energéticas discutidas em feiras de ciências junto às famílias e à comunidade escolar etc. As possibilidades de economia e, principalmente, de aprendizagem são inesgotáveis. 

Do episódio das duas folhas que não pareciam mas foram suficientes tirei a minha lição: restrições de consumo auto-impostas são possíveis e desejáveis, desde que façam sentido para nós e, melhor ainda, para todos.