Paulo Freire em verbetes
Dicionário reúne palavras e conceitos fundamentais para entender a construção teórica do educador
Uma das dificuldades costumeiramente encontradas por leitores e especialmente tradutores de Paulo Freire (1921-1997) está ligada ao vocabulário deste educador, pelo intricado e rico significado de palavras e verbetes usados por ele em seus livros. Para possibilitar um profundo entendimento de sua obra aos leitores de Paulo Freire e a todos os que gostariam de conhecer a sua teoria de educação, os organizadores do Dicionário Paulo Freire, Danilo Streck, Euclides Redin e Jaime José Zitkoskinos, nos presenteiam com “um importante instrumento para educadores e educadoras”, fruto de um trabalho que levou dez anos para ser concluído e exigiu um esforço de mobilização e organização incríveis.
Logo nas primeiras páginas, o dicionário traz a relação dos verbetes (em ordem alfabética) que serão abordados e, na seqüência, a relação nominal dos estudiosos responsáveis pelos textos. Merece destaque especial o texto “Uma breve cartografia”. Nele, os organizadores apresentam a trajetória intelectual de Paulo Freire, dando destaques aos pontos essenciais para configurar o pensamento freiriano no que ele tem de inovador, transformador e humanizador, no que ele comporta de inspiração para a consolidação de um mundo que se configure como o “encontro amoroso entre os homens”, em que “não apenas propõe o diálogo como caminho para a educação, mas constrói um pensamento profundamente dialógico”.
Ao longo de 445 páginas são 200 verbetes, cuja seleção teve como referência “o lugar que a palavra, expressão ou conceito ocupa na obra de Paulo Freire e a recorrência de seu uso. Há no dicionário ainda, palavras e conceitos menos usados por Freire, mas que têm um papel fundamental para compreender a construção teórica de Paulo Freire.”
A composição do grupo dos estudiosos que escreveram os textos dos verbetes foi muito feliz. Eles conseguem garantir uma forma clara e objetiva na abordagem dos verbetes e, ao mesmo tempo, uma subjetividade fácil de ser identificada através da admiração e respeito por Paulo Freire. E “embora tenham sido definidos parâmetros mínimos que guiaram os autores em suas pesquisas e em sua elaboração e garantissem uma unidade de trabalho”, “a delimitação do texto foi seguida à risca por alguns e ‘flexibilizada’ por outros”.
Os textos dos verbetes, ao se apoiarem na própria obra de Paulo Freire, não só se mantêm fieis ao seu pensamento como servem como indicadores para que o leitor se interesse em conhecer, ler e estudar mais Paulo Freire.
Assim, da página 27 à 425 pode-se ler os textos referentes aos verbetes e, como é um dicionário, o leitor pode escolher os verbetes na ordem que melhor lhe aprouver ou fazer uma leitura corrida. Independente da forma como se escolhe ler o Dicionário Paulo Freire, o processo é muito agradável e enriquecedor.
Para os admiradores e recriadores de Paulo Freire, a leitura dos textos dos verbetes permite um reencontro prazeroso com ele e por isso o livro se apresenta de uma forma muito atraente, companheira, para se ter sempre ao lado, quase como um livro de cabeceira. Para os que o conhecem pouco, é convite para desfrutar da leitura deste livro.
Os mais familiarizados com os textos de Paulo Freire por certo vão sentir falta de algumas palavras/verbetes, especialmente os que atuam na área de educação. Mas, conforme nos dizem os organizadores, “se alcançar algum sucesso, o Dicionário será um degrau para a produção de estudos mais profundos e completos da obra de Freire, estendendo-se para o campo da Educação, em geral, e para outras áreas do conhecimento”.

