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Queremos ser surpreendidos

By Redação

Professor, reúna a turma da sua escola e a comunidade e, juntos, elaborem um projeto sustentável que mude a vida da sua instituição de ensino e da vizinhança. A gente vai apoiar as dez melhores idéias e ajudar a se tornarem realidade

Sabe aquele trabalho em grupo de escola que bem merecia ultrapassar os muros e ganhar a vizinhança? Por exemplo, um projeto para criar uma sala de leitura na sede da Associação de Bairro; ou um plano para reciclar as latas de alumínio e transformá-las em renda para quem está precisando; ou, ainda, a criação de uma horta na escola que aproveite os conhecimentos de pais agricultores ou a riqueza da cultura local. Falando em cultura local, também pode ser que um grupo de alunos e professores resolva que o bairro está merecendo a criação de uma feira cultural. Ou gastronômica. Ou, ainda, a implantação, em algum espaço ocioso, de aulas de alfabetização para adultos, aulas de informática, biblioteca infantil ou oficinas de redação para quem só pensa em passar no vestibular.

Esta é uma oportunidade de realizar idéias e fazer  com que aconteçam de verdade. E “de verdade” significa ter recursos financeiros para executar um projeto, sem que se perca o objetivo principal de qualquer trabalho que envolve um grupo de alunos e professores: a aprendizagem com sabor. Saber e sabor, quando se aliam, qualquer professor ou professora sabe, é um grande estimulante do apetite. Desperta a fome de saber mais. Fome de aprender e realizar.

Queremos despertar a fome de aprender. Para isso, Carta na Escola buscou a companhia dos educadores que compõem a Ação Educativa, uma organização não-governamental com sólida experiência em projetos que envolvam educação e juventude. E, juntos, criamos o Prêmio Minha Comunidade Sustentável.

Nosso objetivo é estimular projetos sustentáveis de mobilização da sua escola na sua comunidade. Na edição de abril de Carta na Escola (e a partir do dia 20 de março em nosso site, www.cartanaescola.com.br) você encontrará o regulamento para participar do prêmio, que apoiará até dez projetos criados por escolas públicas ou privadas, de Ensino Fundamental, Médio ou na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos). Para cada projeto vencedor, haverá um prêmio em dinheiro para a sua execução. Ou seja, queremos que professor e alunos apresentem uma idéia inspiradora que possa ser realizada com um orçamento de até 30 mil reais. Pensamos nela como soma não tão elevada que torne sua execução muito complexa, mas suficiente para realizar projetos que façam a diferença onde quer que se instalem. Um projeto com propósito, cronograma de execução e previsão orçamentária (com essa exigência, a aprendizagem de Matemática já parece garantida, não?).

O dinheiro será depositado na conta da Associação de Pais e Mestres e movimentado pelo professor responsável. Mas isso tudo será esmiuçado no regulamento. Por ora o que queremos é mobilizar corações e cérebros, alunos e professores, pais e funcionários, organizações não-governamentais amigas de escola e suas escolas amigas, para a proposta do Prêmio Minha Comunidade Sustentável.

Para envolver nossos leitores, criamos este Caderno de Sustentabilidade. A este se seguirão outros três, todos encartados em Carta na Escola. Eles explicarão melhor o que entendemos por sustentabilidade, trarão exemplos de ações já feitas por escolas nas quais alunos e professores poderão se inspirar, e entrevistas com quem tem o que dizer sobre temas como consumo, educação ambiental ou o poder das cidades e das comunidades. Este, aliás, é o assunto principal da entrevista com o economista Ladislau Dowbor, publicada neste caderno. O professor da PUC de São Paulo é um entusiasmado defensor do “poder local” e traz vários exemplos atuais de cidades que vêm se reinventando simplesmente porque pararam de esperar soluções, “do governo” ou de quem quer que seja, e foram à luta. Atitude semelhante à de muitas escolas, que também não precisam esperar ninguém para mudar o que não está bom. Ou melhorar o que não funciona bem. Ou, ainda, para criar o que deveria haver, mas ainda não há porque faltou a união mágica de planejamento, vontade e meios para fazer.

Nesta edição inaugural dos Cadernos de Sustentabilidade publicamos também um artigo de Suzana Pádua, educadora ambiental e presidente da organização ambientalista Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), que levanta reflexões sobre como a escola pode ensinar educação ambiental aprendendo a estimular os alunos a não ter uma postura conformista. Por fim, nossa reportagem visitou a Escola Estadual Reverendo Erodice Pontes de Queiroz, em Parelheiros, zona sul de São Paulo. Lá, os produtores de verduras e legumes da região vendem sua produção diretamente para a merenda escolar, sem agrotóxicos nem atravessadores. O projeto foi financiado pelo CNPq e executado pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Ao longo do ano passado, professores e merendeiras receberam aulas de nutrição, de composição dos alimentos, sugestões de cardápios e de atividades pedagógicas envolvendo a saudável comida que passaria a enriquecer o prato das crianças.

O Prêmio Minha Comunidade Sustentável quer entrar na sua escola justamente para isso: estimular a criação e o desenvolvimento de bons projetos, como esse de Parelheiros. Idéias possíveis, ousadas e criativas que façam a diferença na vida dos alunos, dos educadores e de toda a comunidade. Eis aqui um convite e uma convocação: que tal germinar, crescer e frutificar as boas idéias que podem estar perdidas na imaginação de cada um dos alunos, pais, professores e vizinhos da sua escola? É uma boa hora para romper com o conformismo, não? E, à sombra dele, contemplar o que foi feito e, com orgulho, comentar: “Eu ajudei a fazer...”


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